Significado de bicanço

Explore os principais sentidos da palavra 'bicanço', do uso cotidiano ao contexto técnico, com exemplos e explicações claras.

Sentido Normativo

Definição no sentido mais comum e amplamente aceito da palavra.

  • s.m.Ave de rapina noturna, da família dos estrigídeos, conhecida por seu canto característico.
  • s.m.(Regionalismo, Portugal) Nome comum dado a algumas espécies de coruja, como a coruja-do-mato (Strix aluco).
  • s.m.(Figurado, raro) Pessoa que vive isolada ou tem hábitos noturnos.
  • s.m.(Figurado, raro) Indivíduo considerado agourento ou que traz má sorte.
  • s.m.(Arcaico) Designação antiga e popular para mocho ou coruja em certas regiões.

Etimologia:

De origem incerta, possivelmente derivada do termo popular ou regional relacionado ao ato de olhar ou observar com atenção, sem uma raiz etimológica claramente estabelecida no léxico da língua portuguesa.

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Sentidos Expandidos

Definições organizadas por camada de contexto e outras perspectivas.

Sentido Ecológico

Refere-se ao papel da ave como predador de topo em ecossistemas noturnos, regulando populações de roedores e insetos. Sua presença é um bioindicador da saúde ambiental.

Exemplo: O programa de monitoramento da coruja-do-mato (bicanço) na Serra da Estrela avalia a biodiversidade local.

Sentido Cultural-Simbólico

Na cultura popular portuguesa, é frequentemente associado ao presságio, à morte ou a espíritos, devido aos seus hábitos e vocalizações. Incorpora-se em provérbios e lendas como entidade misteriosa.

Exemplo: No folclore transmontano, ouvir o bicanço perto de casa era considerado um mau agouro.

Sentido Linguístico-Dialetal

Ilustra a variação lexical dentro da língua portuguesa, onde um mesmo referente (coruja) possui múltiplas denominações regionais. É um termo que marca identidade local e conhecimento tradicional.

Exemplo: O uso de "bicanço" em vez de "mocho" ou "coruja" identifica o falante como originário de certas zonas do interior de Portugal.

Sentido Histórico-Literário

Aparece em textos antigos e na tradição oral como elemento da paisagem sonora noturna e do imaginário rural, refletindo a relação pré-industrial com a natureza. Serve para criar atmosfera de solidão ou mistério.

Exemplo: A referência ao "grito do bicanço" em narrativas de Eça de Queirós ambientadas no campo português.

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