Significado de desvaidade
Explore os principais sentidos da palavra 'desvaidade', do uso cotidiano ao contexto técnico, com exemplos e explicações claras.
Sentido Normativo
Definição no sentido mais comum e amplamente aceito da palavra.
- s.f.Ação ou efeito de desvairar, de perder o juízo ou a razão.
- s.f.Estado de loucura, de desatino ou de completo descontrole mental.
- s.f.(por extensão) Ato ou dito extravagante, insensato ou absurdo.
- s.f.(antigo) Desvario, desatino, despropósito.
Etimologia:
A palavra "desvaidade" deriva do prefixo privativo "des-", do latim "de-", que indica negação ou inversão, e do substantivo "vaidade", originado do latim "vanitas", que significa vaidade, futilidade ou vaidade excessiva.
Sinônimos (sentido comum):
modéstia, humildade, simplicidade, despretensão, sobriedade, reserva, discrição, recato, pudor, austeridade
Antônimos (sentido comum):
vaidade, orgulho, arrogância, presunção, vaidade excessiva, ostentação, vanglória, soberba, jactância, pretensão
Sentidos Expandidos
Definições organizadas por camada de contexto e outras perspectivas.
Sentido Psicológico
Refere-se a um estado mental transitório ou crônico de alienação da realidade, caracterizado pela perda do discernimento e do autocontrole. É um termo arcaico para descrever condições que hoje seriam classificadas como surto psicótico, delírio ou grave desorganização do pensamento.
Exemplo: nos romances de Machado de Assis, personagens em crise de ciúmes ou remorso são descritos como entrando em estado de "desvaidade".
Sentido Social e Performativo
Designa um comportamento público que, por sua extravagância e aparente falta de juízo, transgride as normas sociais estabelecidas e choca a audiência. A "desvaidade" aqui é um ato disruptivo que pode ser interpretado como sinal de loucura, genialidade ou rebeldia calculada.
Exemplo: a cena em que o poeta Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) declama seu "Ultimatum" de 1917, com seus excessos verbais, foi recebida pelo público como pura desvaidade.
Sentido Literário e Retórico
Na tradição literária, especialmente no período barroco e romântico, configura um tema e um estilo onde a expressão é dominada pelo excesso emocional, pela hipérbole e por uma lógica interior distorcida, refletindo a turbulência da alma. É um recurso para representar a paixão extrema ou o sofrimento que corrompe a razão.
Exemplo: os monólogos de dona Inês de Castro em "A Castro" de António Ferreira, onde o luto e o amor levam a um discurso de aparente desvaidade.
Sentido Filosófico-Existencial
Aborda a condição humana de radical desorientação perante o absurdo da existência, onde a razão se mostra incapaz de fornecer sentido, levando a um estado de perplexidade e desnorteio existencial. Não é mera loucura patológica, mas uma experiência limítrofe de colapso das estruturas de significado.
Exemplo: o personagem Raskólnikov, de "Crime e Castigo" de Dostoiévski, vive um período de desvaidade após o assassinato, onde o mundo perde sua lógica habitual.
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