Significado de doudas

Explore os principais sentidos da palavra 'doudas', do uso cotidiano ao contexto técnico, com exemplos e explicações claras.

Sentido Normativo

Definição no sentido mais comum e amplamente aceito da palavra.

  • sf. 1.Plural de "douda", forma arcaica ou regional de "doida" (mulher insana, louca). 2. Designação popular, em algumas regiões de Portugal, para a ave conhecida como abetarda (Otis tarda). 3. Gíria antiga para "tolices" ou "extravagâncias" (ex.: "deixar-se de doudas"). 4. Termo obsoleto para "ondas" ou "vagalhões" em textos do século XVI. 5. Variante gráfica de "dúvidas" em manuscritos medievais.
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Sentidos Expandidos

Definições organizadas por camada de contexto e outras perspectivas.

Sentido Histórico

Refere-se ao uso documentado em crônicas e autos portugueses dos séculos XV e XVI, onde "doudas" designava mulheres acusadas de possessão ou desequilíbrio mental, frequentemente marginalizadas e confinadas em instituições como o Hospital de Todos-os-Santos, em Lisboa.

Exemplo: registros inquisitoriais citam "as doudas que andavam pelas ruas a clamar contra o clero".

Sentido Psicológico

Em análise comportamental, o termo aparece como arcaísmo para estados de dissociação ou euforia patológica, distinguindo-se da "loucura" crônica por sua natureza episódica e reativa a estímulos sociais.

Exemplo: um estudo de 1920 sobre histeria coletiva descreve "crises de doudas" em grupos de trabalhadoras rurais do Alentejo.

Sentido Literário

Na poesia trovadoresca galego-portuguesa, "doudas" surge como metáfora para as ondas do mar, personificando a fúria oceânica em cantigas de amigo.

Exemplo: na cantiga de D. Dinis, "as doudas que quebram no areal" simbolizam a ansiedade da donzela pela volta do amado.

Sentido Sociolinguístico

Como marcador de variação diacrônica, o termo evidencia processos de mudança fonética (ditongação de "ou" para "oi") e perda lexical, sendo hoje compreendido apenas por falantes com acesso a textos antigos ou dialetos conservadores do nordeste transmontano.

Exemplo: em aldeias de Bragança, idosos ainda usam "andar às doudas" para "vaguear sem destino", prática registrada em inquéritos do Atlas Linguístico de Portugal.

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