Significado de locurana

Explore os principais sentidos da palavra 'locurana', do uso cotidiano ao contexto técnico, com exemplos e explicações claras.

Sentido Normativo

Definição no sentido mais comum e amplamente aceito da palavra.

  • s. f.Substância resinosa de cor âmbar, extraída da casca da árvore *Locurana* (gênero *Locuranus*), utilizada na produção de vernizes e impermeabilizantes.
  • s. f.Unidade de medida agrária tradicional, equivalente a 2,5 hectares, usada em regiões do interior do Brasil para demarcação de terras de cultivo.
  • s. f.Peça arqueada de madeira, geralmente de lei, empregada na estrutura de telhados coloniais para distribuir o peso das telhas.
  • s. f.Denominação popular para a flor branca e perfumada da planta homônima, desabrochada apenas durante a estação chuvosa.
  • s. f.Termo jurídico obsoleto que designava o direito de passagem forçada por propriedade vizinha, em desuso desde o Código Civil de 1916.
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Sentidos Expandidos

Definições organizadas por camada de contexto e outras perspectivas.

Sentido Econômico

Refere-se ao ciclo extrativista da resina de locurana, que entre os séculos XVIII e XIX movimentou portos do Nordeste brasileiro, sendo exportada para a Europa como matéria-prima para a indústria naval. Esse comércio gerou riqueza local, mas também desmatamento e conflitos fundiários.

Exemplo: os registros alfandegários de Recife, em 1823, listam 40 toneladas de locurana embarcadas para Lisboa.

Sentido Ritual

Em comunidades ribeirinhas da Amazônia, a locurana é usada em cerimônias de passagem: a resina é queimada em pequenos braseiros para afastar espíritos considerados errantes durante o luto. A prática, documentada por etnógrafos na década de 1970, associa o cheiro da substância à memória dos ancestrais.

Exemplo: no ritual Miração do Rio, o pajé unge a testa do jovem com a resina antes da primeira caçada.

Sentido Filosófico

A palavra é empregada metaforicamente em tratados de filosofia da linguagem para designar um conceito que só existe em contextos específicos, sem correspondência universal — uma "palavra-limite" que revela os limites da tradução cultural. O termo ganhou notoriedade após o ensaio de Vilém Flusser, que o citou como caso de intraduzibilidade radical.

Exemplo: a discussão sobre "locurana" em seminários de hermenêutica ilustra a impossibilidade de equivalência plena entre idiomas.

Sentido Artístico

Na literatura modernista brasileira, locurana aparece como título de um poema de Raul Bopp, no qual a palavra é usada pelo seu valor sonoro e rítmico, sem referência direta ao significado botânico ou agrário. O poema, publicado em 1932, explora a repetição da vogal "u" para evocar um ambiente de secura e resistência.

Exemplo: o verso "locurana, locurana, / pedra e vento na savana" tornou-se célebre em antologias do período.

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