Significado de matintaperera

Explore os principais sentidos da palavra 'matintaperera', do uso cotidiano ao contexto técnico, com exemplos e explicações claras.

Sentido Normativo

Definição no sentido mais comum e amplamente aceito da palavra.

  • s.f.Entidade do folclore brasileiro, descrita como uma mulher velha, feia e perigosa que habita a floresta.
  • s.f.Personagem do imaginário popular, usada para amedrontar crianças desobedientes.
  • s.f.Por extensão, mulher de aparência ou comportamento considerado assustador, excêntrico ou maldoso.
  • s.f.Sinônimo regional para bruxa, feiticeira ou entidade maléfica.
  • s.f.Figura representativa dos perigos e mistérios atribuídos à mata fechada.

Etimologia:

De origem desconhecida.

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Sentidos Expandidos

Definições organizadas por camada de contexto e outras perspectivas.

Sentido Folclórico-Ritual

A Matinta Pereira é uma entidade do folclore amazônico e nortista, cuja lenda serve para explicar sons noturnos na floresta e impor normas sociais. Sua presença mitológica está associada a tabus, como o de não assobiar à noite, e a pactos, onde se promete algo em troca do seu silêncio. Um exemplo é a crença de que ela pode se transformar em um pássaro (a "Matinta Perera") cujo canto anuncia morte ou má sorte.

Sentido Social-Pedagógico

A figura funciona como um instrumento de controle social e educação informal, especialmente no meio rural, para coibir comportamentos indesejados em crianças. Ameaças como "a Matinta Pereira vai te pegar" são usadas para prevenir que crianças desobedeçam aos adultos, vagueiem sozinhas à noite ou adentrem a mata. Este uso a coloca na mesma categoria de outros "bichos-papões" da cultura luso-brasileira, como o Cuca ou o Homem do Saco.

Sentido Psicológico-Projetivo

A Matinta Pereira pode ser interpretada como uma projeção dos medos coletivos em relação ao ambiente selvagem e ao que é marginalizado na comunidade. Ela personifica o desconhecido da floresta, o isolamento social da velhice e a figura feminina que foge aos padrões de comportamento aceitos. Na narrativa de "O Santo e a Porca", de Ariano Suassuna, a referência à personagem evoca esse temor do sobrenatural e do que é socialmente rejeitado.

Sentido Artístico-Cultural

A personagem foi apropriada e ressignificada pelas artes, adquirindo camadas simbólicas que vão além do folclore original. Na música "Matinta Perera", de Nazaré Pereira, ela é cantada como um ser encantado da floresta. Já no samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense de 2000, "Brasil, um Coração que Pulsa... Matinta Pereira... É a Mãe da Mata, a Cura da Terra", ela é elevada à condição de símbolo da natureza e da sabedoria ancestral.

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