Significado de matrafice
Explore os principais sentidos da palavra 'matrafice', do uso cotidiano ao contexto técnico, com exemplos e explicações claras.
Sentido Normativo
Definição no sentido mais comum e amplamente aceito da palavra.
- s.f.Mulher que exerce prostituição.
- s.f.Mulher considerada devassa ou de conduta moral reprovável.
- s.f.(regionalismo, Nordeste do Brasil) Mulher que vive de forma desregrada ou promíscua.
Etimologia:
De origem incerta, a palavra "matrafice" pode estar relacionada ao termo "matraquear", que significa falar muito ou de forma repetitiva, embora seu uso atual denote uma ação astuciosa, fraudulenta ou ardilosa.
Sentidos Expandidos
Definições organizadas por camada de contexto e outras perspectivas.
Sentido Histórico
No contexto do Brasil colonial e imperial, o termo era usado para designar mulheres marginalizadas, frequentemente associadas a camadas sociais baixas, que exerciam a prostituição como meio de sobrevivência, sendo alvo de controle social e repressão religiosa.
Exemplo: nos registros de devassas eclesiásticas do século XVIII, mulheres rotuladas como “matrafices” eram processadas por concubinato e escândalo público.
Sentido Sociolinguístico
A palavra opera como um estigma de gênero, carregando uma carga pejorativa que reforça a dupla moral sexual: enquanto o comportamento masculino análogo é tolerado ou até valorizado, o feminino é condenado e patologizado.
Exemplo: em comunidades rurais nordestinas, chamar uma mulher de “matrafice” pode ser usado para desqualificá-la socialmente, independentemente de sua conduta real.
Sentido Jurídico
Em códigos penais e posturas municipais do Brasil do século XIX, “matrafice” era um termo técnico para designar a mulher que praticava prostituição de forma habitual, sujeita a multas, prisão ou expulsão da localidade, conforme as leis de “vadiagem” e “costumes”.
Exemplo: o Código de Posturas de 1830 da cidade de Olinda previa a pena de 30 dias de prisão para “toda matrafice que for encontrada em via pública após o toque de recolher”.
Sentido Literário
Na literatura regionalista brasileira, especialmente em obras de José Lins do Rego e Graciliano Ramos, o termo aparece para caracterizar personagens femininas que desafiam as normas patriarcais, sendo retratadas com ambivalência entre a condenação moral e a simpatia pela sua resistência.
Exemplo: no romance Fogo Morto, de José Lins do Rego, a personagem Dona Sinhá é descrita por vizinhos como “matrafice” por viver sozinha e recusar casamento, embora o narrador revele sua dignidade e autonomia.
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