Significado de quitona

Explore os principais sentidos da palavra 'quitona', do uso cotidiano ao contexto técnico, com exemplos e explicações claras.

Sentido Normativo

Definição no sentido mais comum e amplamente aceito da palavra.

  • sf.(substantivo feminino) Designação popular, especialmente em contextos rurais e informais do Brasil, para uma mulher que exerce a prostituição.
  • sf.(substantivo feminino) Termo pejorativo e ofensivo utilizado para insultar a conduta moral de uma mulher, equiparando-a a uma prostituta.
  • sf.(substantivo feminino) Em algumas regiões, sinônimo de mulher considerada promíscua ou de comportamento sexual desregrado, conforme padrões sociais conservadores.
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Sentidos Expandidos

Definições organizadas por camada de contexto e outras perspectivas.

Sentido Sociolinguístico

A palavra "quitona" funciona como um marcador de estigma social, sendo empregada em comunidades para sancionar comportamentos femininos que desviam das normas de gênero esperadas. Seu uso revela hierarquias de poder e controle sobre a sexualidade feminina.

Exemplo: Em um inquérito policial de 1950 no interior de Minas Gerais, uma testemunha descreveu a vítima como "uma quitona conhecida na vila", para justificar a agressão sofrida.

Sentido Histórico

Derivada do termo "quita" (do quimbundo kita, "separar, deixar"), a palavra foi incorporada ao português brasileiro durante o período colonial, associada a mulheres escravizadas ou forras que exerciam o comércio ambulante e, por extensão, a prostituição.

Exemplo: Nos registros de devassas eclesiásticas do século XVIII, "quitona" aparece como categoria para designar mulheres negras livres que viviam em "casas de quitanda" e eram acusadas de lenocínio.

Sentido Econômico

No contexto da economia informal e da sobrevivência feminina, "quitona" remete à figura da mulher que comercializa quitutes (doces e salgados) nas ruas, atividade que frequentemente se confundia com a prostituição como estratégia de subsistência.

Exemplo: Em crônicas de João do Rio sobre o Rio de Janeiro do início do século XX, as "quitonas" são descritas como vendedoras de angu e pastéis que também ofereciam serviços sexuais para complementar a renda.

Sentido Artístico-Literário

Na literatura brasileira, "quitona" é empregada como recurso de caracterização realista para personagens femininas marginalizadas, frequentemente em obras regionalistas ou naturalistas.

Exemplo: No romance O Cortiço (1890), de Aluísio Azevedo, a personagem Rita Baiana, embora não nomeada como "quitona", encarna o arquétipo da mulher sensual e livre que a palavra evoca, sendo julgada pela vizinhança como "uma perdida".

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