Significado de quodlibetário
Explore os principais sentidos da palavra 'quodlibetário', do uso cotidiano ao contexto técnico, com exemplos e explicações claras.
Sentido Normativo
Definição no sentido mais comum e amplamente aceito da palavra.
- s.m.Indivíduo que pratica ou defende a disputa escolástica sobre questões teológicas ou filosóficas, sem compromisso com a verdade, mas com o exercício lógico e retórico.
- s.m.Pessoa versada em discussões sutis e capciosas, típicas do método quodlibetal medieval.
- s.m.Membro de um grupo ou escola que adota o método de questionamento livre e irrestrito sobre qualquer assunto, sem hierarquia de temas.
Etimologia:
A palavra "quodlibetário" deriva do latim medieval "quodlibetarius", que por sua vez provém de "quodlibet", expressão latina composta por "quod" (que) e "libet" (apetece), significando literalmente "o que quer" ou "o que apetece".
Sentidos Expandidos
Definições organizadas por camada de contexto e outras perspectivas.
Sentido Histórico
Designa um debatedor ou teólogo medieval que participava das disputas quodlibetales (do latim quodlibet, “o que quiseres”), nas quais se discutiam questões abertas e variadas, sem pauta fixa.
Exemplo: Tomás de Aquino, ao redigir suas Quaestiones Quodlibetales, atuava como quodlibetário ao responder a perguntas aleatórias da plateia acadêmica.
Sentido Filosófico
Refere-se a um pensador que adota o método da dúvida sistemática e da argumentação por paradoxos, explorando proposições contraditórias sem buscar síntese final.
Exemplo: um filósofo cético contemporâneo que, em um debate, levanta objeções a qualquer tese apenas para testar a coerência lógica do interlocutor.
Sentido Jurídico
Indica um operador do direito que utiliza argumentos formais e distinções sutis para prolongar ou confundir um julgamento, sem preocupação com a substância da causa.
Exemplo: um advogado que, em uma audiência, questiona a validade de cada termo do contrato com base em definições escolásticas irrelevantes.
Sentido Artístico
Caracteriza um artista ou compositor que incorpora elementos díspares e citações ecléticas em uma obra, sem unidade temática, como forma de virtuosismo técnico.
Exemplo: um músico que, em uma peça, insere trechos de cantos gregorianos, jazz e ruídos industriais, justificando a mistura como exercício de liberdade composicional.
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