Significado de santilão

Explore os principais sentidos da palavra 'santilão', do uso cotidiano ao contexto técnico, com exemplos e explicações claras.

Sentido Normativo

Definição no sentido mais comum e amplamente aceito da palavra.

  • s. m.Indivíduo que vive ou trabalha em um santuário, ermida ou local de peregrinação, muitas vezes como guardião ou assistente.
  • s. m.(Regionalismo, Brasil) Homem excessivamente devoto, beato, que demonstra religiosidade de forma ostensiva ou considerada exagerada.
  • s. m.(Regionalismo, Brasil, pejorativo) Pessoa hipócrita, que aparenta virtude ou piedade que não possui.
  • s. m.(Arcaico) Eremita, anacoreta, pessoa que vive em retiro religioso.
  • s. m.(Por extensão) Pessoa que vive isolada, afastada do convívio social.

Etimologia:

De origem desconhecida.

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Sentidos Expandidos

Definições organizadas por camada de contexto e outras perspectivas.

Sentido Sociológico

Refere-se a um tipo social caracterizado pela performatividade religiosa, onde a devoção exterior serve para consolidar status, aceitação ou autoridade dentro de uma comunidade tradicional.

Exemplo: personagens como "Bentinho" de Padre Antônio Vieira, que criticavam a santidade aparente para ganho social.

Sentido Histórico-Regional

Designa uma figura comum no interior do Brasil, especialmente no Nordeste, durante os séculos XIX e XX, associada ao catolicismo popular. Era o homem encarregado da manutenção de capelas rurais, organizador de festas de santos e, muitas vezes, visto como um líder moral informal da localidade.

Sentido Psicológico

Caracteriza um traço de personalidade marcado pela repressão moralista e pela projeção de uma imagem de pureza, que pode mascarar conflitos internos ou atitudes julgadoras.

Exemplo: a personagem Isabel, de "A Moreninha", pode ser lida como confrontando as expectativas rígidas representadas por figuras "santilônicas" de sua época.

Sentido Cultural-Literário

Funciona como um arquétipo ou estereótipo na literatura e no folclore brasileiros, representando o conflito entre a aparência virtuosa e a natureza humana hipócrita ou interesseira. É um recurso crítico usado por autores como Graciliano Ramos e Jorge Amado para examinar as estruturas de poder e moralidade nas pequenas comunidades.

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