Significado de pataica

Explore os principais sentidos da palavra 'pataica', do uso cotidiano ao contexto técnico, com exemplos e explicações claras.

Sentido Normativo

Definição no sentido mais comum e amplamente aceito da palavra.

  • s.f.Língua tupi: designação genérica para ave de rapina noturna, especialmente a coruja-buraqueira (Athene cunicularia).
  • s.f.Botânica regional (Norte do Brasil): nome popular da palmeira *Attalea maripa*, também chamada inajá.
  • s.f.Linguística histórica: termo dicionarizado no século XIX como variante de "pataíba", árvore da família das meliáceas.
  • s.f.Zoologia: registro coloquial para a serpente *Bothrops atrox* em algumas comunidades ribeirinhas da Amazônia.
  • s.f.Etnografia: denominação de um adorno de penas usado em rituais de iniciação entre os povos Karajá.
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Sentidos Expandidos

Definições organizadas por camada de contexto e outras perspectivas.

Sentido Cotidiano

No uso corrente de comunidades rurais do Pará e do Maranhão, "pataica" refere-se a uma pequena ave que anuncia a chegada da chuva com seu canto noturno. O termo é empregado em conversas informais para marcar a mudança de estação, como em "a pataica cantou, vai chover amanhã".

Sentido Histórico

Em crônicas de viajantes naturalistas do século XVIII, "pataica" aparece como registro da fauna observada na rota das drogas do sertão. O termo foi anotado pelo padre João Daniel em 1760, descrevendo uma espécie de coruja que os indígenas usavam como oráculo para decisões de caça e guerra.

Sentido Existencial

Em contextos de literatura regional, "pataica" simboliza a vigília solitária e a percepção do que escapa à visão diurna. O escritor Dalcídio Jurandir, no romance Marajó, usa a palavra para evocar a presença de um observador silencioso que testemunha os conflitos humanos sem intervir, como a ave que enxerga na escuridão.

Sentido Político

Em assembleias indígenas do Xingu, "pataica" designa metaforicamente o papel do conselheiro que fala apenas quando necessário, mas cuja palavra tem peso decisório. O termo foi incorporado a documentos de reivindicação territorial como símbolo de resistência cultural, indicando a sabedoria de quem age pela observação estratégica em vez do confronto direto.

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