Significado de corneira
Explore os principais sentidos da palavra 'corneira', do uso cotidiano ao contexto técnico, com exemplos e explicações claras.
Sentido Normativo
Definição no sentido mais comum e amplamente aceito da palavra.
- s.f.Mulher que exerce a profissão de corneiro, fabricando ou consertando objetos de couro, especialmente arreios e selas.
- s.f.(Regionalismo, Portugal) Mulher que trabalha na confeção ou venda de cornos (recipientes) de madeira ou cortiça para líquidos.
- s.f.(Regionalismo, Brasil, arcaico) Mulher que fabrica ou vende cornetas ou instrumentos de sopro simples.
- s.f.(Figurado, raro) Mulher que trai o parceiro, tornando-o corno; adúltera.
- s.f.(Zootecnia) Fêmea de um animal (como certas raças de gado) que possui chifres desenvolvidos.
Etimologia:
Corneira deriva do latim vulgar cornaria, formado a partir de cornu, que significa "chifre", com o sufixo -eira, indicando lugar relacionado a chifres ou à existência destes em animais.
Sentidos Expandidos
Definições organizadas por camada de contexto e outras perspectivas.
Sentido Histórico-Profissional
Refere-se a uma atividade artesanal feminina específica, hoje em grande parte desaparecida, ligada ao trabalho com materiais orgânicos como couro ou madeira. Representa uma rara exceção lexical para ofícios tradicionalmente masculinos, marcando a presença da mulher em nichos da produção pré-industrial.
Exemplo: Nos registos paroquiais do século XVIII em Trás-os-Montes, Portugal, encontram-se referências a "Maria Rodrigues, corneira", indicando sua profissão.
Sentido Sociolinguístico
Ilustra como os regionalismos e o desuso podem levar uma palavra a uma quase completa opacidade fora de sua comunidade de origem. A palavra sobrevive principalmente em estudos dialetais e etnográficos, servindo como marcador de identidade local e de saberes tradicionais em vias de extinção.
Exemplo: Para um linguista, "corneira" é um termo-chave para mapear a distribuição geográfica de antigos ofícios na Península Ibérica.
Sentido de Gênero e Trabalho
Evidencia a construção linguística de gênero em profissões, através do sufixo feminino "-eira" aplicado a uma raiz masculina. A sua raridade questiona a invisibilidade histórica do trabalho feminino especializado em certos setores, sendo um vestígio lexical de uma realidade social mais complexa.
Exemplo: A existência da palavra contradiz a noção generalizada de que todas as atividades ligadas ao couro ou à carpintaria eram exclusivamente masculinas.
Sentido Semântico-Evolutivo
Exemplifica o fenômeno de ampliação e posterior restrição do significado de uma palavra, partindo de um sentido profissional concreto para adquirir, em alguns contextos, um sentido figurado e pejorativo. Esta trajetória mostra como o desuso de uma aceção primária pode permitir que uma aceção secundária e metafórica ganhe proeminência.
Exemplo: O sentido figurado de "mulher adúltera" só ganhou espaço porque o sentido original de "artesã do couro" caiu em desuso na maioria das variedades do português.
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