Significado de quitandeira
Explore os principais sentidos da palavra 'quitandeira', do uso cotidiano ao contexto técnico, com exemplos e explicações claras.
Sentido Normativo
Definição no sentido mais comum e amplamente aceito da palavra.
- s.f.Mulher que vende gêneros alimentícios, especialmente frutas, verduras e legumes, em uma banca ou loja (quitanda).
- s.f.Comerciante de secos e molhados, dona de um pequeno estabelecimento de varejo de alimentos.
- s.f.(Brasil, regional) Vendedora ambulante ou em feira livre de produtos hortifrutigranjeiros.
- s.f.(Por extensão) A dona ou gerente de uma quitanda.
- s.f.(Arcaico) Mulher que negocia com quitandas (antigo termo para gêneros alimentícios e miudezas).
Etimologia:
Quitandeira deriva de "quitanda", termo do português brasileiro que designa pequeno comércio de alimentos, especialmente frutas e verduras, cuja origem remonta ao quimbundo "kitanda", que significa "feira" ou "barraca".
Sentidos Expandidos
Definições organizadas por camada de contexto e outras perspectivas.
Sentido Histórico-Social
Refere-se a uma figura econômica e social central nas comunidades brasileiras, especialmente antes da massificação dos supermercados. A quitandeira era uma microempreendedora, frequentemente responsável pelo sustento da família, e seu estabelecimento funcionava como ponto de encontro e troca de informações no bairro.
Exemplo: Na obra "O Cortiço" de Aluísio Azevedo, personagens como a "Bertoleza" (antes de sua história se desenrolar) representam essa mulher trabalhadora do comércio de alimentos.
Sentido Econômico-Informal
Representa um agente fundamental da economia informal e de subsistência, operando à margem dos grandes canais de distribuição. Sua atividade envolve cadeias curtas de abastecimento, negociação direta com produtores e preços flexíveis, sendo um modelo resiliente de comércio.
Exemplo: As vendedoras de acarajé na Bahia, que também comercializam outros quitutes e ingredientes, encarnam essa função em um contexto ritual e turístico.
Sentido Cultural-Afetivo
Evoca a memória afetiva e sensorial de um comércio personalizado, baseado no trato direto, no fiado e no conhecimento das preferências do freguês. Esta figura está associada a um imaginário de proximidade, tradição e abastecimento comunitário que contrasta com a impersonalidade dos grandes mercados.
Exemplo: Na música "Casa de Bamba" de Martinho da Vila, a quitandeira é citada como parte da paisagem e da vida do subúrbio carioca.
Sentido de Gênero e Trabalho
Ilustra uma ocupação historicamente feminina e desvalorizada, que combina o trabalho produtivo remunerado com as responsabilidades domésticas não-remuneradas. A quitandeira simboliza a dupla ou tripla jornada de trabalho da mulher pobre, sendo ao mesmo tempo provedora e cuidadora.
Exemplo: As "revendedoras" de cosméticos ou confecções em esquema de venda direta, na contemporaneidade, ocupam um papel análogo de microempreendedorismo feminino frequentemente doméstico.
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