Significado de reposteiro
Explore os principais sentidos da palavra 'reposteiro', do uso cotidiano ao contexto técnico, com exemplos e explicações claras.
Sentido Normativo
Definição no sentido mais comum e amplamente aceito da palavra.
- s.m.Cortina grande e pesada, usada para cobrir portas ou vãos.
- s.m.Indivíduo encarregado de guardar e manusear as cortinas em palácios ou teatros.
- s.m.Ato ou efeito de repostar (menos comum).
- s.m.Aquele que faz ou vende repostos (variante regional/arcaica).
- s.m.O que serve para repostar; reposteira (feminino, em desuso).
Etimologia:
Reposteiro deriva do termo "reposto", que vem do latim "repositum", particípio passado de "reponere", significando "colocar de novo" ou "guardar". O sufixo "-eiro" indica profissão, ocupação ou objeto relacionado, formando assim a palavra que designa a pessoa responsável por guardar os utensílios ou o tecido que cobre as portas e janelas.
Sinônimos (sentido comum):
cortineiro, cortineiro de teatro, cortineiro de janela, cortineiro de cama, cortineiro de porta, cortineiro decorativo, tapeceiro, cortineiro de ambiente, cortineiro de palco, cortineiro de salão
Antônimos (sentido comum):
visitante, forasteiro, estranho, hóspede, desconhecido, intruso, estrangeiro, alheio
Sentidos Expandidos
Definições organizadas por camada de contexto e outras perspectivas.
Sentido Histórico-Social
Designava uma função específica na corte real portuguesa: o oficial responsável pela guarda, abertura e fecho das cortinas dos aposentos e salas do palácio. Este cargo implicava proximidade com a nobreza e certa confiança, pois controlava o acesso simbólico e físico a espaços privados do monarca.
Exemplo: Nos registos da Casa Real portuguesa do século XVIII, o "reposteiro-mor" era um cargo de destaque na estrutura palaciana.
Sentido Artístico-Teatral
Refere-se ao profissional encarregado do movimento do pano de boca (cortina principal) em teatros e casas de espetáculo. A sua atuação é crucial para marcar o início e o fim de uma peça, sendo parte integrante da mecânica e ritual do teatro tradicional.
Exemplo: Na ópera do Teatro São Carlos, em Lisboa, o reposteiro opera o pesado veludo que separa o palco da plateia.
Sentido Económico-Artesanal
Relaciona-se com o ofício de produção de cortinas e tapeçarias de grande porte, um setor artesanal especializado que utilizava materiais nobres como veludo, damasco e fios de ouro. Este ofício sustentava guildas e oficinas que dependiam de encomendas da aristocracia e da Igreja.
Exemplo: As oficinas de tear de Portalegre, em Portugal, produziam reposteiros com brasões de famílias abastadas.
Sentido Literário-Simbólico
Na literatura, o reposteiro pode funcionar como um símbolo da separação entre dois mundos: o público e o privado, o conhecido e o oculto, ou mesmo a vida e a morte. A sua abertura ou fecho marca transições, revelações ou a passagem para um espaço de mistério.
Exemplo: Em "Memorial do Convento" de José Saramago, as cortinas e vãos protegidos simbolizam os segredos da Inquisição e os ciúmes do rei.
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